Relação dos encantados com a fotografia

Pioneiros nas pesquisas e nos registros fotográficos e fílmicos dos rituais de tambor de mina, os antropólogos Mundicarmo R. Ferretti e Sérgio F Ferretti  documentaram nas décadas de 1980 e 1990 muitas festas para os encantados. Neste ensaio foram selecionadas fotos em festas de diferentes terreiros de São Luís do Maranhão, que permitem perceber a relação dos encantados com a fotografia, pesquisadores, aqueles que observam e interagem, tendo a câmera como um recurso de mediação e comunicação.

As encantadas princesas observam o fotografar, algumas mais sérias e atentas, outras mais charmosas. A encantada Dona Doura faz questão de fumar o cachimbo para ser fotografada. A Pombagira brinda, brinca, encena, se diverte e traz para cena outros para serem fotografados. Pai Jorge da Fé em Deus, em transe com um de seus encantados, observa com seriedade o fotografar. Em uma outra festa para Iemanjá, a cena fotografada por Sergio Ferretti revela os trejeitos mais femininos, alegres e carinhosos da atuação de Abê ou Iemanjazinha no corpo de Pai Jorge, ao interagir com Mundicarmo Ferretti. Na última foto um encantado da família da Turquia apresenta um olhar severo capturado no fotografar. 

 

Fotos: Sergio Ferretti e Mundicarmo Ferretti.

Texto e curadoria: Juliana Loureiro.