A presente proposta é um desdobramento do projeto de iniciação científica intitulado “Personalidades negras: verbetes biográficos de artistas, intelectuais e ativistas maranhenses do século XX”, cujo primeiro ano de vigência (01/09/2023 a 31/08/2024) teve o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Optamos por desenvolvê-lo inicialmente com cinco personalidades negras do município de Grajaú/MA a fim de trazer visibilidade às práticas culturais e educacionais desenvolvidas na região centro-sul maranhense: Argentino de Sousa Santos (poeta e um dos fundadores da Academia Grajauense de Letras e Artes); Cleiane Chaves (educadora e vice-presidente da Academia Grajauense de Letras e Artes); João da Cruz Atenas (músico, compositor e mestre da cultura afro-maranhense); Paulo Sérgio Ferreira de Moraes (poeta e músico); Veralice Oliveira (educadora).
Parte relevante de nossa proposta consiste em disponibilizar aos discentes e docentes do ensino superior e básico, por meio do MAD/MA, uma nova percepção a respeito do papel dos negros na história do Brasil e assim contribuir para que ocorra de maneira efetiva a implementação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Desse modo, é de suma importância a construção de uma reflexão acerca do porque determinados personagens são lembrados, e outros silenciados, seja no ensino ou na pesquisa. No que diz respeito à abordagem metodológica, dialogamos com estudos de trajetórias e biografias provenientes do campo historiográfico. Adotamos a forma narrativa e cronológica na elaboração dos verbetes sem perder de vista às especificidades dos personagens analisados, situando-os em seu grupo, contexto social e tempo histórico.
Argentino de Sousa Santos

1. Campo de atuação
Oficial de justiça, proprietário de terras, criador de gado, escritor e poeta. Era constantemente convidado para participar de eventos escolares e culturais na cidade de Grajaú-MA, apresentando suas poesias. Foi um dos fundadores da Academia Grajauense de Letras e Artes (AGLA), criada em 21/01/2006 e dedicada ao desenvolvimento da cultura e à defesa das tradições grajauenses, bem como ao intercâmbio com os centros de atividades culturais do Brasil e do exterior
2. Trajetória
Acadêmico e um dos fundadores da Academia Grajauense de Letras e Artes (AGLA). Por ser um homem dedicado aos estudos, conseguiu um emprego como oficial de justiça. Tornou-se poeta após uma tragédia que ocorreu em sua família, a morte de seu filho caçula Valdívio. Após essa trágica perda, aflorou em Argentino o desejo por escrever seus sentimentos de dor e saudade, e esses sentimentos foram escritos em poesias.
3. Destaques
O jornal “O Imparcial” (1999), publicou uma matéria sobre sua vida e anexou uma de suas poesias mais conhecidas, um pleito de gratidão a sua mãe Hortência. Em 2008, publicou um livro com mais de cem poesias, intitulado “Versos de um sertanejo”.
Argentino de Sousa Santos, também conhecido como “poeta sertanejo”, nasceu no povoado de Bela Estrela, na cidade de Grajaú/MA, em 16/10/1930. Seus pais se chamavam João Santos e Hortência Santos. O pai de Argentino Santos, vindo de uma família pobre e numerosa, com muito esforço, sacrifício e dedicação, tornou-se um advogado muito respeitado. O senhor João Santos era autodidata, um homem obstinado a mudar de vida. Ele saiu da roça e iniciou sua carreira como professor dos filhos dos fazendeiros ricos daquela região. Após casar-se com Hortência Santos, e ter seus filhos, mudou-se para Grajaú, onde continuou a se dedicar aos estudos. Após ter chegado em Grajaú, o então promotor de justiça, seu Nicolau Dino, o nomeou como advogado. Toda essa trajetória de lutas e conquistas de seu pai foi uma inspiração e também um fator crucial para que Argentino também trilhasse por esse caminho de dedicação aos estudos.
Argentino fez o curso primário com duas professoras, uma se chamava Caetana e a outra se chamava Mila, em uma escola que funcionava no Palácio do Bispo, agora conhecida por casa paroquial, em Grajaú. Depois completou o ginásio no colégio Gomes de Sousa, hoje colégio Santo Antonio. O início da trajetória de Argentino se deu ainda em sua infância, inspirado por seu pai, um homem autodidata que com muita dedicação e empenho constante conseguiu mudar sua realidade, estudando em momentos de descanso de seu trabalho na roça, tornando-se professor e, posteriormente, advogado.
O “poeta sertanejo” cresceu em um ambiente simples, repleto de conhecimento e cultura, que cooperaram diretamente para que ele trilhasse os passos do pai. Seu pai estimulou todos os seus dez filhos a estudarem e se formarem. Argentino se dedicou aos estudos e também a realizar pequenos serviços com o propósito de juntar economias.
Argentino de Sousa tornou-se poeta após uma tragédia em sua família, o falecimento de seu filho caçula Valdívio, de apenas 17 anos, vitimado por um acidente com arma de fogo. Nesse momento de tão grande sofrimento em sua vida, aflorou-se em Argentino o desejo de expressar seus sentimentos de tristeza e saudade. A forma escolhida foi a escrita de poesias que com o passar do tempo se tornaram também uma forma de amenizar a dor que sentira.
Argentino de Sousa Santos foi acadêmico e um dos fundadores da Academia Grajauense de Letras e Artes (AGLA). Tem um livro publicado, por uma editora na cidade de Goiânia-GO com mais de cem poesias, por título “Versos de um sertanejo” (2008). O poeta também teve uma matéria sobre sua vida divulgada no jornal maranhense “O Imparcial”, em 1999. O jornal também publicou uma das poesias de Argentino, por título “Pleito de Gratidão”, dedicada à sua mãe Hortência.
Cleiane Nascimento Chaves Barros
Cleiane Nascimento Chaves Barros

1. Campo de atuação
Cleiane Chaves é professora, escritora, tem livros publicados, é membro fundadora da Academia Grajauense de Letras e Artes (AGLA) e atualmente é vice-presidente da mesma.
2. Trajetória
Fez o magistério na escola Bandeirantes, que atualmente se chama Livino Rezende e é professora efetiva pelo estado do Maranhão e escritora de duas obras relevantes, o livro “9 de junho” (2020) e o livro didático “Grajaú, cidade da gente” (2024).
3. Destaques
Professora Cleiane Chaves é uma das fundadoras da academia Grajauense de Letras e Artes, em 2006. Em 2020, publicou seu primeiro livro, por título “9 de junho” (livro biográfico da vida de Raimunda Chaves, avó da professora Cleiane Chaves). Em 2022, foi convidada a participar da criação de um livro didático sobre a cidade de Grajaú, por título, “Grajaú, cidade da gente”, juntamente com outros três escritores, professora Ruth Helena, professor Alexandre Sampaio e professora Magnólia Costa. E por três vezes foi ganhadora do prêmio melhores do ano/Grajaú, na Categoria Professora, e neste ano foi indicada e ganhadora na Categoria Escritora.
Cleiane Nascimento Chaves Barros, nasceu no povoado São Pedro, na cidade de Grajaú-MA, em 25 de dezembro de 1970. Filha de Cleonice Chaves Pereira, Cleiane Chaves relata que sua avó Raimunda Chaves foi uma pessoa muito relevante para a sua trajetória e formação educacional, pois era uma mulher muito forte que mudou o destino de seus filhos e netos, quando decidiu sair do sertão e ir para a cidade de Grajaú-MA em busca de melhores condições de vida. Sua avó tornou-se professora e todos os seus filhos e netos seguiram o mesmo caminho.
Cleiane estudou em Grajaú-MA e fez o fundamental I e II, na época chamado de primeiro grau, no colégio Nicolau Dino, em seguida foi para o Bandeirante, que agora se chama Livino Rezende e lá cursou o magistério. Nesse mesmo período também foi radialista, quando ela iniciou nesse trabalho tinha apenas 14 anos de idade. Alguns anos após concluir o magistério, surgiu o concurso para professores da rede estadual. Na ocasião, a professora Cleiane fez este concurso em 1991 e passou em terceiro lugar.
Cleiane Chaves até então se identificava como radialista e chegou a acreditar que seguiria na profissão por muitos anos, visto que gostava muito de se comunicar. Entretanto, quando entrou em uma sala de aula pela primeira vez tudo mudou, e viu que ali era o seu lugar, e já está há trinta e dois anos atuando como professora, atualmente trabalha no Colégio Municipal Santo Antônio e está em processo de aposentadoria da escola Livino de Souza Rezende.
Ao tratarmos de movimentos sociais, a professora Cleiane afirma que não tem envolvimento direto com grupos ou movimentos negros, mas que sua luta pelo direito à igualdade racial se dá em sala de aula com seus alunos. Ela relata que constantemente conversa e na oportunidade esclarece para os alunos sobre a importância do respeito, independente de raça, gênero ou religião, destacando a importância de lutarem pelos seus diretos, de acesso à educação, a saúde e igualdade.
A professora Cleiane Chaves é uma das fundadoras da academia Grajauense de Letras e Artes (AGLA) e atualmente é uma das diretoras do AGLA. Em 2020, publicou seu primeiro livro, por título “9 de junho”, livro biográfico da vida de Raimunda Chaves, avó da professora Cleiane Chaves.
Em 2022, foi convidada a participar da criação de um livro didático sobre a cidade de Grajaú, por título “Grajaú, cidade da gente”, que foi lançado neste ano (2024), livro este direcionado aos alunos da educação básica municipal de Grajaú, ensino fundamental, anos finais. E foi por três vezes ganhadora do prêmio, Melhores do ano/Grajaú, indicada como melhor professora, e neste ano foi indicada ganhadora na Categoria Escritora.vvv
João da Cruz Atenas

1. Campo de atuação
Pedreiro, figurinista, músico, pintor, artístico, artesão, compositor, ator e cavaquinista.
2. Trajetória
João Atenas fez o primário em Teresina-PI, e iniciou o ginásio em São Luís-MA, porém devido às questões financeiras de sua família, João optou por trabalhar e não prosseguiu com seus estudos. Ao tornar-se maior de idade, se profissionalizou como pedreiro e passou a trabalhar nessa área. Mestre Atenas é responsável por dois grupos de Bumba-Meu-Boi, que ele ajudou a fundar, Bumba-Meu-Boi da Vila Kennedy e BumbaMeu-Boi Brilho da Noite. João Atenas é integrante da Academia Grajauense de Letras e Artes (AGLA), juntamente com Cleiane Chaves e Ruth Helena. Seu envolvimento é na área artística (pintura, música, dança).
3. Destaques
Aclamação popular em festivais culturais (festas juninas, apresentação de BumbaMeu-Boi, festivais de músicas e festivais religiosos). Os grupos do Bumba-Meu-Boi que ele ajudou a fundar já foram premiados com 1º e 3º lugares.
João da Cruz Atenas, também conhecido como mestre Atenas, nasceu na cidade de Teresina-PI, em 18 de dezembro de 1957. Seus pais se chamavam Carlos Raimundo e2Claudete Colbert Atenas. João Atenas cresceu em contato com movimentos artísticos e culturais, visto que seu pai era radialista e sua mãe era figurinista e desenhista de fantasias. O que inspirou o Mestre Atenas a seguir por esse caminho foi seu contato precoce com movimentos artísticos e culturais na cidade de Teresina-PI (quadrilhas, bumba-meu-boi, teatro e danças regionais).
Mestre Atenas passou a ter interesse por esse campo de atuação ainda em sua infância, na cidade de Teresina-PI, quando participou de um grupo de bumba-meu-boi, criado por ele e outros brincantes que se inspiraram em grupos de bumba já existentes na região. Sua trajetória artística teve início em sua adolescência com o envolvimento direto com o bumba meu boi, desde a confecção de cenários e figurinos ao desenvolvimento das danças e coreografias. Em busca de oportunidades, João Atenas e sua família se mudaram para a cidade de Pedreiras-MA.
João Atenas, que é músico, toca cavaquinho, tarol e é percussionista da Banda de Música Maestro Torquato Lima há cerca de 22 anos. Em 17/12/2021, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) entregou ao mestre Atenas o certificado de honra ao mérito cultural e também em 2021 lançou um disco com canções de sua própria autoria em comemoração aos trinta anos do Bumba-Meu-Boi Brilho da Noite, canções essas que podem ser encontradas na plataforma de música Spotify.
Mestre Atenas foi um dos fundadores do grupo de Bumba-Meu-Boi Brilho da Noite, em 09/04/1991. Além deste, fundou também o Bumba-meu-boi do bairro Vila Kennedy. Quando Atenas chegou em Grajaú-MA, em 1986, foi muito bem acolhido pelo povo grajauense, e por ser um homem influente é popularmente chamado de Mestre Atenas. No mesmo ano em que chegou em Grajaú fundou o bloco carnavalesco Bafo da Onça, no bairro Expoagra. Atualmente, João Atenas está constantemente envolvido em eventos culturais da cidade de Grajaú-MA. É integrante de um grupo musical por nome “Retorno do Samba” e da Academia Grajauense de Letras e Artes (AGLA), envolvimento este voltado para a área artística, especialmente a pintura, música e dança.
Paulo Sérgio Ferreira de Moraes
Paulo Sérgio Ferreira de Moraes

1. Campo de atuação
Agente de endemias, músico, cantor, professor de capoeira e poeta.
2. Trajetória
Estudou todo o ensino fundamental e médio em escolas públicas na cidade de Imperatriz-MA. Não possui graduação, mas possui formações técnicas na área da saúde, realizadas na cidade de Grajaú-MA, que o possibilitaram se tornar agente de endemias. Em Imperatriz-MA, Paulo Sérgio começou a fazer capoeira com 12 anos de idade com o mestre Pedro Paulo Buanna, que atualmente reside em Portugal. E ainda em ImperatrizMA, se formou como professor de Capoeira.
3. Destaques
Paulo Capoeira já ganhou diversas premiações em festivais de música e poesia. Sagrou-se vencedor nos seguintes festivais: Festival de Música de Grajaú (Femug) com músicas autorais; e Festival de Música de Imperatriz (Femi). O mais recente foi na cidade de Pedreiras-MA. Nestes festivais ele se apresenta tocando e cantando músicas populares2brasileiras, poesias cantadas escritas por ele e também se apresenta tocando e cantando canções de roda de capoeira com o berimbau.
Paulo Sérgio Ferreira de Moraes, também conhecido como Paulo Capoeira, nasceu na cidade de Imperatriz-MA, em 24/03/1969 e há trinta e cinco anos reside na cidade de Grajaú-MA. Seus pais se chamavam Nascimento Paulo de Moraes e Maria de Lurdes Ferreira de Moraes. Paulo Sérgio, juntamente com seus pais, sempre se envolveu diretamente em movimentos negros na comunidade que eles faziam parte, participavam também da umbanda que era muito forte entre os moradores da comunidade onde eles residiam.
Paulo Capoeira cursou todo o ensino fundamental e médio em escolas públicas da cidade de Imperatriz-MA. Com doze anos de idade ele iniciou aulas de capoeira com o mestre Pedro Paulo Buanna, que foi uma inspiração para ele, bem como o fato de já participar de movimentos culturais com sua família.
Sua trajetória com movimentos culturais negros em Grajaú-MA começou assim que ele chegou à cidade aos 21 anos de idade. Logo deu início ao trabalho com a capoeira, junto com o “Maculelê” e também com a dança “Cacuriá”, permanecendo apenas com a capoeira e o “Maculelê”.
Paulo Capoeira também se envolveu com o bumba-meu-boi e seu primeiro contato se deu em Imperatriz-MA, portanto, quando chegou em Grajaú-MA e viu a força do movimento, sob a liderança de João Atenas, de imediato se dispôs a participar também. Paulo Sérgio conclui o segundo grau em Imperatriz, e alguns anos após ter chegado para morar na cidade de Grajaú, além de sua dedicação e trabalho com grupos de dança culturais, fez também um curso técnico voltado para a área da saúde, a fim de se qualificar e tornar-se agente de endemias.
Como poeta e músico, Paulo Capoeira já participou de movimentos culturais dentro e fora da cidade de Grajaú-MA, como por exemplo em Marabá-PA, ImperatrizMA e Pedreiras-MA. Já ganhou diversas premiações em festivais de música e poesia, bem como os grupos da capoeira que ele lidera.
Veralice Silva de Oliveira

1. Campo de atuação
Professora efetiva da rede pública municipal e estadual de Grajaú-MA, atualmente atua no município com a função de coordenadora de avaliações. Integrante do movimento “Negros”, formado por ativistas de São Paulo, Santa Catarina, São Luís e Portugal.
2. Trajetória
Os anos iniciais e finais e parte do segundo grau foram cursados em escolas públicas, respectivamente, Escola Frei Benjamin de Borno e Colégio Nicolau Dino, ambas localizadas na cidade de Grajaú-MA. E o terceiro ano do ensino médio foi em um colégio particular na cidade de Pedreiras/MA. Veralice é formada em Licenciatura-Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), campus de Grajaú, através do PROCAD, um programa de formação de professores. Tem Especialização em Planejamento Educacional, Língua Portuguesa e Psicologia da Educação.
3. Destaques
Apresentações de saraus com os seus alunos do terceiro ano do ensino médio, na escola estadual Dimas Simas Lima, voltados ao protagonismo de movimentos negros e de personalidades negras que contribuíram para o desenvolvimento social, cultural e2educacional da sociedade brasileira, e que se organizaram em defesa dos direitos da população negra.Tem um coletânea de textos para a produção de um livro voltado para o empoderamento da mulher negra, por título “Poesia em prosa e versos de Vera”. O livro seria publicado em celebração aos seus cinquenta anos de idade, no entanto, devido à pandemia da covid-19 houve um atraso na publicação, que foi adiada para o ano de 2025.
Veralice Silva de Oliveira nasceu na cidade de Grajaú-MA, em 19/10/1972, e morou por dois anos e meio na cidade de Imperatriz-MA. Seus pais se chamam João Batista Gomes de Oliveira e Maria Helena Silva de Oliveira. Pastora Marques da Silva, avó da professora Veralice, foi sua referência de vida, por ser uma mulher que lutou bravamente pelo bem-estar dos seus filhos. Pastora Marques era descendente de indígenas, e passou pelo êxodo rural, saiu do interior do Ceará em busca de uma melhor qualidade de vida para si e para seus filhos, no estado do Piauí. Sua avó sempre orientou seus filhos e, posteriormente, a seus netos também, com relação às questões étnico-raciais e culturais e também sobre seus direitos e deveres, mesmo sabendo pouco sobre isso.
Professora Veralice cursou o ensino fundamental nas escolas Frei Benjamim de Borno, Colégio Nicolau Dino e Colégio Santo Antônio, na cidade de Grajaú-MA, sendo que o terceiro do ano do ensino médio foi em um colégio particular em Pedreiras-MA. Quando retornou a Grajaú-MA fez o magistério no colégio Santo Antônio. Veralice é formada em Licenciatura-Letras, pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), campus de Grajaú-MA, através do PROCAD, um programa de formação de professores e tem também especialização em Planejamento Educacional, Língua Portuguesa e Psicologia da Educação.
A professora Veralice era ainda criança quando desenvolveu o interesse pela licenciatura. Ela costumava brincar de escolinha com os seus irmãos e sempre era a professora, também inspirada por sua mãe, que é educadora. Durante a infância ela também desenvolveu um amor muito grande pela leitura e pela busca de novos conhecimentos. Quando jovem, a professora Veralice ouviu algo que foi um despertar para que passasse a se reconhecer como uma mulher negra e também o interesse em disseminar para outras pessoas os diretos dos negros e principalmente para aqueles que erroneamente diziam que o racismo não existe.
O relato de uma professora da faculdade foi o que fez Veralice passar a se dedicar à luta antirracista. Sua professora fez uma observação quanto ao fato de que os livros de3literatura contemporânea, que estavam disponíveis para que os alunos estudassem, eram todos escritos por autores brancos, enquanto que já existiam ali, de forma acessível, obras de escritores negros, muito relevantes, porém que eram silenciados. A partir daí, a professora Veralice passou a se dedicar às questões raciais, pesquisando o lugar das mulheres negras, a relevância das obras de escritores/as negros/as e seus impactos dentro e fora do universo acadêmico.
Conforme se aprofundava no tema, a professora Veralice chegou à conclusão que a escola em que trabalhava era o local onde ela poderia e deveria disseminar essas ideias e compartilhar os conhecimentos que ela vinha adquirindo diariamente sobre a luta pelos diretos dos negros e também contra o racismo. Durante o período em que atuou em sala de aula, no Centro de Ensino Professor Dimas Simas Lima, a professora Veralice fez apresentações de saraus com os seus alunos do terceiro ano, todos voltados ao protagonismo de movimentos negros e de personalidades negras que contribuíram para o desenvolvimento social, cultural e educacional da sociedade brasileira e que se organizaram em defesa dos direitos da população negra.
Veralice de Oliveira faz parte de um movimento social intitulado “Negros”, fundado em 31/05/2020, por Éder Júnior, que mora em Portugal. Os integrantes estudam sobre os negros, os movimentos do passado e também a respeito de movimentos sociais atuais, bem como pesquisas e trocas de conhecimento a respeito de trajetórias de luta, conquistas da população negra e diversos temas voltados para os movimentos negros e também um estudo aprofundado acerca das políticas de ações afirmativas. Com essas pesquisas, os integrantes tem a possibilidade de em suas cidades e regiões disseminarem esse conhecimento tão importante para toda a comunidade, especialmente para os negros se engajarem na luta antirracista.
A professora Veralice possui uma coletânea de textos voltados para o empoderamento da mulher negra, cujo título é “Poesia em prosa e versos de Vera”, que seriam publicados em celebração aos seus cinquenta anos de idade, no entanto, devido à pandemia da covid-19, houve um atraso na publicação, que foi adiada para o ano de 2025. Na oportunidade, a professora Veralice tem se dedicado a fazer correções, alterações e a acrescentar mais informações relevantes sobre a temática.
Curadoria
Marco Antônio Machado Lima Pereira, doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e docente do curso de Ciências Humanas/Geografia do Centro de Ciências de Grajaú (CCGR/UFMA).
Olilia Marcela Ramos de Sousa, discente do curso de Ciências Humanas/Geografia do Centro de Ciências de Grajaú (CCGR/UFMA).
Revisão
Pauline Freire Pimenta (UFLA)