{"id":6298,"date":"2022-05-04T12:41:20","date_gmt":"2022-05-04T15:41:20","guid":{"rendered":"https:\/\/mad.slzmais.com.br\/?p=6298"},"modified":"2024-05-07T12:00:02","modified_gmt":"2024-05-07T15:00:02","slug":"terreiro-do-justino-averequete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museuafro.ufma.br\/?p=6298","title":{"rendered":"TERREIRO DO JUSTINO\/S\u00c3O BENEDITO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O tambor de mina, pr\u00e1tica ritual de matriz africana, \u00e9 uma religi\u00e3o \u201cque se caracteriza pelo transe ou possess\u00e3o, em que entidades sobrenaturais s\u00e3o cultuadas e invocadas, incorporando em participantes, por ocasi\u00e3o das festas, com c\u00e2nticos e dan\u00e7as, executadas ao som de tambores e outros instrumentos\u201d (Ferretti, S.1996, p.11). Essa defini\u00e7\u00e3o aproxima o tambor de mina do Maranh\u00e3o de outras religi\u00f5es de origem africana como o Candombl\u00e9 da Bahia ou o Batuque do Rio Grande do Sul. A hist\u00f3ria do tambor de mina \u00e9 a hist\u00f3ria de muitas mulheres e homens negros que se organizam, socialmente e ritualmente, em torno de pr\u00e1ticas rituais de ancestralidade africana no Estado do Maranh\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, Maria Cristina, filha-de-santo da Casa de Nag\u00f4, fundou o Terreiro do Justino\/Avarequet\u00ea\/S\u00e3o Benedito,&nbsp; entre os anos de 1896-1897, mais especificamente na data de 10 de agosto de 1896, segundo a hist\u00f3ria oral dessa casa. Atualmente o terreiro localiza-se no mesmo local no qual foi fundado, que se tornou o Bairro da Vila Embratel, cuja origem, crescimento, transforma\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 intrinsicamente ligada as invas\u00f5es que ocorreram nessa \u00e1rea onde est\u00e1 situada essa casa de mina, que foi bastante impactada pela constru\u00e7\u00e3o do Porto do Itaqui em S\u00e3o Lu\u00eds\/MA. Como todo projeto de desenvolvimento que causa danos ambientais e transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o da cidade nas zonas perif\u00e9ricas, o entorno do terreiro recebeu imigrantes vindos principalmente da Baixada Maranhense, com a not\u00edcia de constru\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de um Porto e a abertura da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, dois grandes projetos de desenvolvimento baseado no exterm\u00ednio e expuls\u00e3o de comunidade tradicionais.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A constru\u00e7\u00e3o do Porto do Itaqui e a implementa\u00e7\u00e3o da mineradora Vale do Rio Doce nessa regi\u00e3o, desencadeou um \u00eaxodo rural que afetou o cotidiano das pr\u00e1ticas ancestrais africanas existentes nesse terreiro, in\u00fameras foram as mudan\u00e7as e amea\u00e7as ao logo de sua exist\u00eancia nessa localiza\u00e7\u00e3o. Apesar das dificuldades do Terreiro do Justino, que v\u00e3o desde a invas\u00e3o do seu terreno at\u00e9 intoler\u00e2ncia religiosa, esse terreiro de Mina \u00e9 o \u00fanico fundado e liderado por mulheres no s\u00e9culo XIX&nbsp; ainda em funcionamento em S\u00e3o Lu\u00eds\/MA. Com um vasto calend\u00e1rio de atividades que inclui toques de mina, ladainhas, Festa do Divino Esp\u00edrito Santo, Festa para Averequet\u00ea, Cura, \u00e9 atualmente,&nbsp; comandada por m\u00e3e Iolanda, que dedicou toda a sua vida a essa casa, e \u00e9 filha biolol\u00f3gica de dona Antonia Paulina, que foi tamb\u00e9m filha-de-santo do Terreiro do Justino. Este tem uma importante liga\u00e7\u00e3o com os Terreiros de Pai Itaparandi, situado no Maiob\u00e3o, em Pa\u00e7o do Lumiar, e Pai Clemente Filho, no Anjo da Guarda, em S\u00e3o Luis\/MA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Essa casa de matriz matriarcal foi comandada&nbsp; at\u00e9 aqui por cinco mulheres, al\u00e9m de dona Iolanda, que sucedeu dona Mundica Estrela, que faleceu em 2018; tiveram na chefia, dona Ant\u00f4nia&nbsp; da Silva Raposo, dona Ot\u00e1via Enedina Serr\u00e3o, que se sucederam ap\u00f3s a morte da fundadora, dona Maria Cristina. Importantes m\u00e3es-santo e mulheres mantenedoras de casas de matriz africana como dona Mundica da Vila Passos, que era filha do Terreiro do Justino,&nbsp; abriu seu terreiro, iniciou seus filhos, mas nunca rompeu os la\u00e7os rituais com o Terreiro do Justino, para este enviou mulheres como dona Dozinha, do Rio Grande, dona Maria Rosa, dona Deusa.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esta exposi\u00e7\u00e3o, assim \u00e9 uma homenagem a essa casa de mina, \u00e0s mulheres dessa casa, se constitui de um conjunto de imagens de diferentes rituais do Terreiro do Justino, extra\u00eddas de pesquisas realizadas no Grupo de Pesquisa Religi\u00e3o e Cultura Popular \u2013 GP Mina\/UFMA.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Endere\u00e7o do Terreiro do Justino: Rua S\u00e3o Jose, 107, Vila Embratel, S\u00e3o Lu\u00eds\/Maranh\u00e3o&nbsp;<br \/>\nContato: Iolanda da Concei\u00e7\u00e3o Freitas &#8211; l\u00edder da casa&nbsp;<br \/>\nTelefone: (98) 8919 \u2013 3782&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify;\"><strong>Curadoria:<\/strong>\r\n<span style=\"font-weight: 400;\">Marilande Martins Abreu <\/span><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Vida Cotidiana no Terreiro do Justino\/Averequet\u00ea<\/strong><\/span><\/p>\nngg_shortcode_0_placeholder\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tambor de mina, pr\u00e1tica ritual de matriz africana, \u00e9 uma religi\u00e3o \u201cque se caracteriza pelo transe ou possess\u00e3o, em que entidades sobrenaturais s\u00e3o cultuadas e invocadas, incorporando em participantes, por ocasi\u00e3o das festas, com c\u00e2nticos e dan\u00e7as, executadas ao som de tambores e outros instrumentos\u201d (Ferretti, S.1996, p.11). 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